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 UM PRÓLOGO QUALQUER

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Nero
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MensagemAssunto: UM PRÓLOGO QUALQUER   29th Março 2017, 4:18 pm








O QUE SEUS OLHOS IGNORAVAM


O CONTO DE UM CORAÇÃO ERRANTE
livro da redenção



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MensagemAssunto: Re: UM PRÓLOGO QUALQUER   29th Março 2017, 4:49 pm






A escuridão não é acolhedora, nunca foi. Um caminho que para se trilhar, você deve aceitar a solidão, deve desistir de si mesmo e abraçar um alguém que as trevas irá desenhar. Houve quem disse ser um caminho sem volta, que só se liberta com a morte — muitos disseram. A ambição, a ganância, o ódio; todos esses elementos irão fazer parte do novo molde do ser, se tornarão sua essência.
  Combater as trevas é estar disposto a uma guerra infinita. Desde os primórdios ela existe e aterroriza o homem. O mais curioso e até irônico é a sua essência: as trevas são a ausência da luz. Enquanto houver luz, haverá trevas. O mal se apoia no bem. Não há como evitar, muitos ainda irão trilhar esse caminho.
  A guerra que não terá fim.
  Ele, que um dia caminhou por esses vales traiçoeiros, foi salvo. Não foi a morte que o libertou, mas quem sabe morrer não tivesse sido mais simples. Viver e pagar apenas com um braço — há quem pense. Acordar e lembrar-se de quem um dia foi, do que já fez. Viver era o pior castigo. Olhar para eles, os laços que ele lutou para romper; olhar para eles e não envergonhar-se é tarefa árdua. Eles sorriem e se alegram em tê-lo de volta. A felicidade existe por parte dele, é claro, mas poucos iriam querer vestir sua pele.
  Ele, que foi salvo da escuridão.
  Uchiha Sasuke.


(...)






T e c e r
  
  As luzes se apagaram para ele numa noite sangrenta. Suas pernas trêmulas o conduziam por um cenário perturbador. Seus olhos incrédulos deixavam evidente o seu desejo de acordar, mas eis que vinha a pior parte: não era um pesadelo. O coração acelerava, respirar era mais difícil, aquela noite não podia piorar. Enganou-se ao pensar assim.
  Passou a ignorar tudo ao seu redor no momento em que seus pais vieram a mente. Estariam eles bem? O que estava acontecendo? Por que aquilo estava acontecendo? Seus olhos se alagavam conforme os passos alargavam. O vento frio em seu rosto levava as lágrimas, mas a vista ainda era um pouco turva.
  Abrir a porta de casa foi o golpe fatal.
  Os corpos do pai e da mãe jogados ao chão, sem vida. O vermelho manchava o chão da sala e um homem de pé se postava perto a eles. Uma lâmina banhada em sangue e como nunca aquela criança desejou estar dormindo. Seus olhos viam claramente o rosto do assassino. Uchiha Itachi. Seu herói, seu exemplo, seu ídolo; seu irmão mais velho. Seus orbes chorosos encontraram um rubro impiedoso que lhe mostrou tudo: como sua família acabou.
  Todo o clã dizimado, a vida dos pais pelas mãos do irmão. Quando ele voltou a realidade, os laços com seu único parente vivo já estavam destroçados. Pela primeira vez, seus olhos brilharam vermelhos e transbordaram ódio. Um dia apenas e seu mundo era outro.
  Nasceu um novo Sasuke.
  Ele viveu com uma ambição: vingança. Nada importava mais que seu desejo — nada e nem ninguém. Estava disposto a qualquer coisa para ganhar poder. Ele abandonou sua vila e rastejou entre as cobras, tomou para si que não tinha outro propósito para existir se não a morte de Itachi. Fortaleceu-se odiando, mergulhando cada vez mais fundo na escuridão. Corrompeu-se até que um dia ele se tornou a serpente.
  Rastejou caçando o irmão e lutaram uma última vez.
  Triunfou.
  O cadáver de Itachi jogado ao seu lado era o prêmio. Sem forças para mover um músculo, ele só observava a chuva cair daquela tempestade que tomava um templo completamente devastado pela luta. Os céus choravam, quiçá refletiam uma lamentação das profundezas do coração do irmão mais novo. Como naquela noite, ele não acreditava.
  Os últimos momentos de Itachi em vida
  Sua mente reproduzia o momento em que o irmão mais velho andou em direção ao caçula, se arrastando, sofrido. Seus dedos ergueram-se de uma forma que parecia que suas últimas forças estavam depositadas naquele gesto — e estavam. Sentia-se ameaçado o vingador. Seu mais poderoso jutsu não o matou e estava esgotado. As mãos tatearam uma rocha que o deixou encurralado.Os dedos dele enfim encontraram sua testa.
  ── Me desculpe, Sasuke. Não haverá uma próxima vez...

  E sua vida se foi.
  Largados no chão, Sasuke não entendia.
  Por que estava com aquela sensação ruim no peito?
  Ainda havia amor?




E n t r e t e c e r
  
  Confuso, corpo escoriado, ele despertou ainda sem acreditar bem no que aconteceu. Seu propósito de vida havia se concretizado, mas alguma coisa não estava certa. Não se sentia vitorioso, a vingança não tinha o sabor que ele pensava. A quietude dos seus pensamentos era devastadora, eles não o deixavam esquecer os últimos momentos do irmão. Não conseguia apagar da memória a imagem do cadáver de Itachi. Não conseguia compreender porque tudo aquilo o perturbava tanto. Era a vitória mais amarga.
  Se importou pouco com o local onde estava. Suas feridas estavam tratadas, corpo devidamente coberto e via das sombras surgir um antigo oponente mascarado; se importou pouco. Seus olhos o fitaram com desinteresse antes do outro revelar-se: Uchiha, também.
  A resposta se revelou e queimou o inimigo em chamas negras — o inimigo, o mascarado, Uchiha Madara. Ele, que sabia sobre o clã Uchiha melhor que qualquer outro vivo. Ele, que sabia a verdade sobre Uchiha Itachi. Ele, que contou a Sasuke como viveu o irmão mais velho, quem ele foi de verdade.
  Itachi, que viveu como um inimigo de Konoha para salvá-la. Itachi, que viveu odiado pelo irmão para protegê-lo. Eis as palavras que o homem pregava. Eis o que perturbava o mais jovem. O homem que tentou matá-lo e roubar seus olhos estava tentando protegê-lo? Nem em seus mais loucos sonhos ele cogitaria isso. Eram inimigos. Aquele irmão mais velho amoroso e protetor não existe mais, ele morreu.

  Sasuke não quis dar ouvidos.
  Sua mente, agora mais confusa que nunca, o castigava.
  Um ataque de surto e tudo tornou-se breu.

  E acordou mais uma vez, agora amarrado. Madara sequer havia começado a revelar a verdade, mas Sasuke já estava confuso antes. Agora, confuso e inquieto. Para que mergulhou-se no ódio e afundou-se na solidão? Para matar um homem que o amava e queria protegê-lo? Se cometeu um erro, o que faria dali em diante? Acalmou-se apenas com a ideia de redirecionar seu ódio, com uma nova ambição, uma nova vingança.
  Konoha usou seu irmão para destruir o próprio clã, para destroçar a própria vida. Tamanho fardo que ele teve que viver carregando e tudo pela paz de um povo que ele não faria mais parte. Por um momento, se culpou. Mas enfim, ciente da verdade e da escolha de Itachi, foi a vez de Sasuke tomar sua decisão: destruir Konoha.
  Então, abriram-se os olhos do falcão.




D e s t e c e r
  
  Seus olhos cada vez mais sombrios. Seus atos cada vez mais repugnantes. Irreconhecível, não seria insano dizer que estava perdido. Aliado à Akatsuki, atacando um jinchuuriki em prol da missão da mesma, um desejo latente de destruir a vila onde nasceu sem qualquer tipo de consideração. Sua vingança importava mais que qualquer vida. Pouco importava se o amavam, quem ele amava nem existia mais e ele culpava a Folha.
  Não se importou com Karin quando Danzou a fez refém. Não se importou com Sakura quando esta, por amor, se pôs contra ele. Não se importou em afundar-se na solidão, afinal, estava entregue às mãos da escuridão. Nas trevas, ele ganhava poder. Ele queria isso, ele precisava disso.
  A guerra o chamou.
  O mundo em caos, poucos eram os que não estavam em campo de batalha. Seus olhos viram coisas inimagináveis, que ele talvez jamais pensou que veria: viram o sábio e viram a luz. Movido por um novo desejo, ele lutava. Viu, enfim, o que seu irmão tanto odiava e desejou a paz pela qual ele morreu lutando. Decidiu tomar para si o fardo do irmão, mas queria ele o ódio de todos. Ser o motivo único pelo qual todos irão lutar. Assim, pensou ele que a paz reinaria.
  O sábio lhe deu a mão.
  Quando seu coração chegou perto dos últimos momentos, foi salvo. Voltou mais poderoso. Voltou ainda desejando um fardo como o de Itachi. Seus olhos viram uma guerra terminar. Na verdade, seus olhos ajudaram uma guerra a terminar. Seus olhos quase começaram uma outra guerra. Pela paz, ele agiu para que todos o rejeitassem. Tinha poder, mas lhe faltava o ódio: o ódio do mundo inteiro.
  Ele não desistiu.
  Uzumaki Naruto. Um único homem se opôs a ele. Irriante, esse único homem nunca desistia. Por que era assim? Tantos o aceitaram como era, por que ele era incapaz de permitir que o Uchiha permanecesse como estava? Sozinho, Sasuke escolheu a escuridão, Sasuke escolheu a dor de ser odiado. Por que ele lutava contra isso? O traidor, o vingador, como Naruto ainda tem coragem de lutar por alguém assim?
  ── Porque você é meu amigo. ── a voz cansada do loiro respondia.
  Jogados no chão com os corpos surrados e olhos roxos que mal conseguiam abrir, eles se olhavam bem próximos um do outro sob a luz do luar. Não tinham força para se mexer, falar era o que restava. Falaram um pouco, adormeceram. Falaram de novo com o sol reinando nos céus. Naruto respondia às tantas perguntas de Sasuke. Não importava o que era indagado, sempre havia uma resposta, esclarecedora ou não.
  ── E se eu acabar me opondo a você de novo?
  ── Eu paro você de novo! Mas eu sei que não vai fazer isso...
  ── Como pode ter certeza disso?
  ── Quantas vezes eu vou ter que repetir?!
  A fala se interrompia ao ver que o loiro não recebia mais atenção: os olhos de Sasuke contemplavam as nuvens. Seu orgulho era tanto que não queria que seu olhar denunciasse sua derrota. Seu coração, pela primeira vez, batia tranquilo e feliz. A luz iluminando suas carcaças simbolizava uma nova vida. O ódio havia sido dilacerado e eles dois sabiam disso. O sangue ressecado em seu rosto era inundado por lágrimas. Ele se lamentava do que ele havia se tornado, de tudo que ele havia feito. Pelo preço de um braço, o Uzumaki conseguiu.
  ── Já disse, porque você é meu amigo.
  ── Cala a boca, idiota.
  Naruto o salvou.





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MensagemAssunto: Re: UM PRÓLOGO QUALQUER   29th Março 2017, 5:07 pm





Prólogo
ANISTIA



E ainda que eles o tivessem perdoado
Era ele quem não podia se aceitar








Seus pés estavam fincados diante do mestre mascarado e dos dois companheiros — eram Kakashi, Naruto e Sakura. Seu braço esquerdo estava coberto de faixas do antebraço à mão — um presente da Quinta. Seus olhos fitavam diferentes semblantes — Sakura entristecida, Naruto ansioso e Kakashi indiferente. Muito próximos aos portões da vila, o clima era um para cada ali.
  ── Em outras condições, você estaria em prisão perpétua. ── proferiu Kakashi, brando como sempre.
  ── Eu sei, me desculpe.
  ── Se não fosse pelo Naruto, herói dessa guerra, e por mim, usando minha influência de Hokage, você não se salvaria. Não enlouqueça de novo, ou será a minha cabeça que eles irão querer.
  O sensei não era nada sentimental ou caloroso com as palavras, assim como Sasuke. Eles dois se olhavam enquanto o grisalho falava. Não precisava muito para se entenderem. Ele sabia o verdadeiro significado por trás de todos aqueles dizeres. Era inexpressivo, porém se importava. O Uchiha sabia. Eles todos sabiam.


  ── Você tem mesmo que ir embora? ── a moça indagava, cheia de pesar.
  ── Há coisas que me incomodam e eu preciso ver o mundo que eu deixei do observar. ── ele retrucou.
  ── E se eu te dissesse que... que eu quero ir também?
  Sakura olhava para baixo com as maçãs do rosto enrubescidas.
  ── Você não tem nada a ver com os meus pecados.
  O silêncio tomou conta.
  Ele deu um passo a frente.
  ── Eu voltarei...
  Seus dedos tocaram a testa dela, seus olhos encontraram os olhos dela. O primeiro momento em sua nova vida já lhe era totalmente novo. Seu coração estava indeciso. Ele queria ficar, mas simplesmente não podia se perdoar. No olhar, ele entregou-se a ela. Nas palavras curtas, ele fez uma promessa. Num gesto simples, ele a amou.
  ── Até a próxima vez.
  Ela não entendera, nenhum deles aliás. Mas Sasuke entendia muito bem, sabia o que fazia. Quiçá, ela até entedia e só não conseguia acreditar. Com aqueles grandes olhos verdes arregalados, não era muito simples decifrar o que ela estava pensando ou sentia. Mas, de fato, um dia ele voltaria; um dia ela entenderia.


  Se afastou dela e foi a vez dele.
  Naruto deu um passo a frente e estendeu, com a mão direita — esta também coberta por faixas — uma bandana velha e riscada na placa de metal. Ele olhou duas coisas: o que Naruto sacrificou para salvá-lo em sua última luta e o que ele guardou da primeira. Logo, voltou o olhar para aquela face que parecia transbordar determinação e confiança. Não precisaram de muitas palavras para conversar naquele instante. Com os olhos, eles diziam muitas coisas um para o outro. Os dois se entendiam. Tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão iguais. Sasuke estendeu sua mão enfaixada e segurou na bandana, sua velha bandana.
  ── Isso é seu.
  E ele recolheu a mão trazendo consigo o item e o guardou sob o sobretudo preto que o traja.
  ── Guardarei isso até resolvermos as coisas entre nós.
  Já estava resolvido, Sasuke sabia. Não era entre eles que ele tinha que resolver e Naruto também sabe. O que ele precisa resolver é consigo mesmo, é conflito interno. Tudo está resolvido com os outros, sabe bem. Seu desejo é ficar com eles, mas não consegue. Está em débito com o mundo e com si próprio. Antes de voltar, ele precisa se resolver, precisa aceitar o perdão.

  Enfim, deu as costas e pôs-se a viajar.
  Saiu com passos calmos e fez o que fizera a vida inteira: vagou.
  O mundo que ele não viu, a vida que ele não viveu.
  Punha-se na estrada ele, que nunca acertou.
  Uchiha Sasuke, o coração errante.





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MensagemAssunto: Re: UM PRÓLOGO QUALQUER   29th Março 2017, 5:24 pm






  
  Seus olhos, então, viram tudo de outra forma. Os encantos da simplicidade das coisas era de impressionar. Ele, que viveu uma guerra, aprendeu a apreciar um bom descanso a sombra de uma árvore, o canto dos pássaros, o nascer do sol. Foram dias e noites com suas pernas o guiando e seus pensamentos sendo a única companhia — seus pensamentos e sua nova espada. Esforçava-se para esquecer seu passado, mas sofria em silêncio por culpa de quem ele foi um dia.
  De vilarejo em vilarejo, ele estava distante da Folha e do País do Fogo. Ele vagou por horas e as horas viraram dias; os dias viraram semanas e as semanas viraram meses, que viraram anos; dois anos. Viajou sem nada, vivia de si. Comia e dormia aonde parava, fosse uma vila, fosse no meio do nada. Ele via o mundo que vive em paz, ele pensava.
  Seus pés o guiavam para dentro de um vilarejo bem simples, pequeno. Escondido por uma vasta mata, o acesso era por uma trilha no meio da floresta. Sentia fome e tinha de parar para comer. Não estranhou ao passar pelos portões e não ter ninguém, nem todas as aldeias tem ninjas, afinal. Intrigou-se, porém, ao ver tudo fechado e ainda à luz do dia. Parou em frente à uma pequena tenda com a palavra “restaurante” na entrada e frustrou-se. Mas, não era o fim do mundo.
  Procurou por uma pousada, quiçá saberiam lhe informar o porquê daquilo. Parou na porta e a viu fechada. Deu com os nós dos dedos na madeira na esperança de que abrissem. Não conseguiu muito, porém. Ele repetiu o ato uma vez mais, insistindo.
  ── Vá embora! ── gritou alguém lá dentro.
  ── Eu quero me hospedar, me deixe entrar.
  ── Estamos fechados!
  ── Uma pousada fechada?
  A porta abriu, mas somente uma fresta. Cheio de olheiras, um homem barbudo deixava apenas um olho amostra e parecia encarar o Uchiha com um certo melindre, parecia perturbado. Os dois se analisavam por um breve momento e o homem abriu um pouco mais da porta, revelando-se um senhor baixo, um pouco corcunda e cabelos muito brancos.
  ── Forasteiro, vá embora enquanto pode... ── o tom era de preocupação.
  ── Eu só quero ficar uma noite aqui. ── o tom era de calmaria.
  O homem suspirou.
  ── Vamos, entre.
  E ele entrou. Foi conduzido até onde dormiria e recebeu privacidade para acomodar-se. Não fez muito: sua espada ele postou ao lado da cama forrada no chão e tirou os calçados dos pés e tornou a procurar pelo velho. O encontrou ao lado de uma senhora e duas meninas mais jovens, rezando perante algumas fotografias — duas — e velas.
  Ao levantarem-se, todos pareceram surpresos.
  ── O que quer, garoto? ── tomou a frente o homem.
  ── Explicações.
  É bem verdade que Sasuke não é mais ambicioso ou um vingador movido pelo ódio. Contudo, certas coisas não mudaram. Ele continua ríspido, analítico, frio e observador. Alguma coisa não estava certa naquele lugar e ele deveria se impor para descobrir. Não havia a paz, ele não a sentia. Seus olhos se firmaram nos semblantes um pouco assustados dos quatro.
  O velho se rendeu a mais um suspiro.
  ── Está certo. ── disse ── Sente-se a mesa conosco, você deve estar com fome, forasteiro.
  ── Me nome é Sasuke.
  Agora em cinco, cercavam uma simples mesinha com uma porção de lámen ao centro. A senhora distribuiu as tigelas e um por um se serviram. Com fome, Sasuke não estava se importando muito com a comida e sim com a estranheza de tudo desde que pisou naquele vilarejo. Deserto mesmo com a claridade, o medo parecia consumir aquelas pessoas.
  ── O que está acontecendo aqui?
  ── Por que quer saber?
  ── Dois anos após uma grande guerra, o mundo vive em paz e vocês parecem aterrorizados.
  Eles se calaram e baixaram a cabeça. Estavam aflitos, era nítido.
  ── Nosso filho e nossa nora, pais delas, foram vítimas de um demônio que vem aterrorizando o vilarejo. ── contava o velho, aborrecido.
  Demônio? ── pensava o ninja, na solidão dos pensamentos.
  ── Todos os dias, algumas horas antes da noite cair, esse demônio surge da mata e leva quem quer que vague nas ruas. Nosso líder ordenou que todas as portas fossem fechadas bem antes de o sol se por para que ninguém mais fosse sequestrado. Nós acordamos, compramos comida e fechamos, praticamente.

  ── E as forças da vila?
  ── Forças da vila? Não temos poder militar e, além disso, vivemos distantes de todas as grandes nações e não temos dinheiro para pedir ajuda desse tipo.
  ── Entendo...
  Ele só continuou sua refeição, agora entendido do porquê de tudo ali ser tão estranho. Sua suspeita era certa: viviam assombrados. As fotos que viu deviam ser dos pais das jovens, eles oravam por suas almas. Saciada a sua fome, calado como sempre era, o Uchiha se levantou sem sequer agradecer pela comida. Apanhou a espada, calçou as sandálias e dirigiu-se à porta.
  ── Aonde está indo? Não te falei que é perigoso lá fora?
  Sasuke apenas mirou o senhor com o olho direito tingido em rubro. O espanto tomou o velho. Com tão poucas palavras o velho falou, com tão poucas palavras o jovem entendeu e decidiu lutar. Todos merecem a paz, nem que para isso ele tivesse que lutar outra vez. O Uchiha não precisou dar mais explicações, talvez o velho até estaria pensando que ele próprio é um demônio também.
  ── Tranque a porta quando eu sair. ── disse, voltando os olhos para fora.
  Pôs os pés para fora da pousada e fechou a porta. Foi caminhando com bastante serenidade por aquele lugar esquecido por Deus. Sem nenhuma dificuldade, subiu no telhado de uma casa qualquer e sentou-se, bem relaxado. Deixava o vento esvoaçar seus cabelos e revelar seus olhos; seus peculiares olhos. Ele olhava tudo, mas não via nada. À espera do tal demônio, quase que subestimando a força do desconhecido, ele permaneceu bastante quieto e tranquilo.

  Um homem que tem seus próprios demônios.
  Um demônio que sequestra os homens.
  Uma história que a ninguém foi contada.
  O prelúdio de uma luta pela paz.





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